Polícia Federal vai investigar 90% dos criminosos digitais até 2011

Por Daniela Braun do IDG Now! – Publicada em 14 de dezembro de 2009 às 07h05

Com novos sistemas de coleta e análise de dados, instituição inicia projetos Oráculo e Pentáculo de combate a invasões e golpes online.

Em 2010, a Polícia Federal coloca em prática os projetos Oráculo, de combate a invasões de sistemas, e Pentáculo para mapear golpes online no Brasil.

Contando com um novos sistema de coleta e análise de incidentes, a PF tem a missão de mapear e combater 50% dos grupos de cibercriminosos em 2010 e chegar a 90% em 2011, informa o delegado Carlos Eduardo Miguel Sobral, chefe da Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal.

Atualmente, há uma média de 100 a 150 quadrilhas especializadas em fraudes eletrônicas atuando no País, afirma o delegado. Com o projeto Pentáculo, em parceria com bancos privados, nos próximos três meses, a Polícia Federal contará com um banco de dados de todas as fraudes em internet banking e clonagem de cartões no País.

A operação contará com uma equipe de cerca de 80 pessoas dedicada ao trabalho de análise e investigação de crimes financeiros na web. “Vamos investigar as quadrilhas e não mais os fatos por elas praticados”, observa Sobral. “Com o uso das novas tecnologias de análise sairemos das investigações com muito mais chances de sucesso”.

Com o novo sistema, o delegado espera eliminar 30 quadrilhas especializadas em crimes digitais por ano. O investimento em infra-estrutura para estas operações não foi revelado, mas segundo Sobral faz parte de um processo de modernização da Polícia Federal realizado nos últimos dez anos.

Oráculo
Os crimes de invasão a sistemas serão combatidos por meio do projeto Oráculo, que conta com o apoio do Centro de Tratamento de Incidentes de Segurança em Redes de Computadores da Administração Pública Federal (CTIR).

“Qualquer invasão requer várias tentativas, mas é muito difícil investigá-las porque o criminoso apaga as provas”, afirma o delegado. “Para este tipo de crime, em particular, uma legislação específica faz falta”, observa.

Com o apoio do CTIR, segundo Sobral, será possível registrar e analisar todas as tentativas de invasão para identificar as origens.

Turko, Trilha e Virtual Pharma
Fazendo um balanço da atuação da Polícia Federal contra o cibercrime no País, este ano, o delegado destaca a Operação Turko contra a pornografia infantil em redes sociais.

Realizada em maio deste ano, a operação batizada com um anagrama de ‘Orkut’ cumpriu 92 mandados de busca e apreensão em 20 Estados e no Distrito Federal, e efetuou cerca de dez prisões. “Esta foi a primeira operação de combate a pornografia infantil deste porte no mundo”, observa o delegado. “Em 2009 tivemos uma boa atuação neste campo”, afirma.

Outros destaques do ano na avaliação do delegado foram a Operação Trilha, que levou à prisão de mais de 80 pessoas suspeitas de praticar golpes online, em maio deste ano, e a Operação Virtual Pharma, deflagrada em junho para coibir a venda de medicamentos falsos na internet. Esta última, em parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é outra frente de combate da PF em 2010. “É um problema de saúde pública”, observa Sobral.

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